A Argentina é o quinto maior produtor de vinho do mundo. O vinho argentino, assim como alguns aspectos da culinária argentina, tem suas raízes na Espanha. Durante a colonização espanhola das Américas, as mudas de videira foram levadas para Santiago del Estero em 1557, e o cultivo da produção de uva e vinho se estendeu primeiro para as regiões vizinhas e depois para outras partes do país.

Historicamente, os produtores de vinho argentinos estavam tradicionalmente mais interessados ​​em quantidade do que em qualidade, sendo que o país consume 90% do vinho que produz (45 litros per capita por ano, de acordo com os números de 2006). Até o início da década de 1990, a Argentina produzia mais vinho do que qualquer outro país fora da Europa, embora a maioria fosse considerada não exportável.

No entanto, o desejo de aumentar as exportações impulsionou avanços significativos na qualidade. Os vinhos argentinos começaram a ser exportados durante a década de 1990 e atualmente estão crescendo em popularidade, tornando-se o maior exportador de vinhos da América do Sul. A desvalorização do peso argentino em 2002 alimentou ainda mais a indústria à medida que os custos de produção diminuíram e o turismo aumentou significativamente, dando lugar a um conceito totalmente novo de enoturismo na Argentina.

As regiões vinícolas mais importantes do país estão localizadas nas províncias de Mendoza, San Juan e La Rioja. Salta, Catamarca, Río Negro e, mais recentemente, sul de Buenos Aires também são regiões produtoras de vinho. A província de Mendoza produz mais de 60% do vinho argentino e é a fonte de uma porcentagem ainda maior do total das exportações. Devido à alta altitude e baixa umidade das principais regiões produtoras de vinho, os vinhedos argentinos raramente enfrentam os problemas de insetos, fungos, bolores e outras doenças da uva que afetam os vinhedos de outros países. Isso permite o cultivo com pouco ou nenhum pesticida, permitindo que até mesmo vinhos orgânicos sejam facilmente produzidos.

Existem muitas variedades diferentes de uvas cultivadas na Argentina, refletindo os muitos grupos de imigrantes do país. Os franceses trouxeram o malbec, que produz a maioria dos vinhos mais conhecidos da Argentina. Os italianos trouxeram videiras que chamaram de bonarda, apesar de não ter nada em comum com os vinhos frutados leves feitos de Bonarda Piemontese no Piemonte. Torrontés é outra uva tipicamente argentina e é encontrada principalmente nas províncias de La Rioja, San Juan e Salta. É um membro do grupo Malvasia que produz vinhos brancos aromáticos. Foi recentemente cultivado na Espanha. Cabernet sauvignon, syrah, chardonnay e outras variedades internacionais estão se tornando mais amplamente plantadas, mas algumas variedades são cultivadas caracteristicamente em certas áreas. Em novembro de 2010, o governo argentino declarou o vinho como o licor nacional do país.


Liebfraumilch é um vinho branco semi-doce de origem alemã produzido nas regiões de Hesse-Renânia, Mosela-Saar-Ruwer, Pfalz, Rheingau, Hesse-Renânia, Nahe, Francônia, Nahe e Ahr.

 



A África do Sul é uma das nações que mais investem na enocultura em tempos recentes. Sétimo maior produtor, com 4,5% da produção mundial, e trigésimo maior consumidor do planeta, o país tem vivido seu melhor momento ao longo das últimas décadas quando o assunto são bons vinhos. E os números não param de crescer.

A história de como essa cultura teve início é incrível: é sabido que a Companhia Alemã das Índias Orientais se instalou em uma região próxima ao Cabo da Boa Esperança, no sul do país, em algum momento do século XVII.

A parada era estratégica para viajantes europeus que tinham longas jornadas entre seus países de origem e o continente asiático, e servia para reabastecer os navios com a bebida, que os ajudava a tolerar as intermináveis horas de navegação.

Com o fim do Apartheid na África do Sul, em 1994, a indústria sul-africana finalmente encontrou condições para seguir a todo vapor. Em 2017, quase 450 milhões de litros foram exportados, em um sistema que gera aproximadamente 300 mil empregos diretos e indiretos, distribuídos por mais de 600 vinícolas.

Há incentivo por parte de várias empresas e organizações locais e qualquer vinho exportado precisa ter uma licença de comercialização – um rigor necessário para que a qualidade seja sempre garantida.

A apenas 20 minutos da Cidade do Cabo, a região de Constantia é hoje a principal região vitivinícola do país, em função de suas características geográficas e climáticas ideais. Vales, montanhas, clima mediterrâneo, verões longos e ensolarados e grandes amplitudes térmicas configuram o clima perfeito para o cultivo das uvas.

Curiosamente, a maioria das uvas da África do Sul são internacionais: Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah para vinhos tintos, e Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Chardonnay para os brancos. Combinações deram origem, ao longo dos anos, a uvas nativas, como é o caso da Pinotage – cruzamento de Pinot Noir e Hermitage.

O resultado dessas combinações, aliado a uma série de produtores talentosos e muitas novas ideias, tem levado a cultura vinícola da África do Sul ao olimpo do universo do vinho no Novo Mundo, além de tornar o país um destino perfeito para o enoturismo, em franco crescimento na região.

Ao longo de mais de 800 quilômetros, a Rota 62 é considerada a maior rota vinícola do mundo em extensão. A rota do vinho de Franschhoek, cuja influência é francesa, é conhecida como a “capital gourmet” do país.

Já a simpática cidade de Stellenbosch, de influência holandesa, é rodeada de boas bodegas e deve agradar em cheio os amantes de bons vinhos, além dos seus restaurantes e bares.


O país da vez é Austrália. Dos antigos vinhedos de Shiraz, Merlot e Cabernet Sauvignon nos vales do sul do país às famosas Sauvignon Blanc em Margaret River, no oeste australiano, e, ainda, aos bons exemplares de Chardonnay e Pinot Noir e espumantes produzidos em Yarra Valley, perto de Melbourne, a Austrália contabiliza mais de 2.400 vinícolas distribuídas em sete macrorregiões vitivinícolas.

A produção de alta qualidade desse país o posiciona como uma enorme potência: no ano passado, a Austrália figurou o 5º lugar entre os maiores produtores de vinho do mundo, na frente de países tradicionais, como Chile e Portugal.

Grande exportadora, essa nação registrou um patamar recorde em 2017, tanto em valor quanto em volume: 15% de crescimento – maior taxa anual desde 2004 – em valor e 8% em volume, exportando 811 milhões de litros. Uma gigante!

E, embora os vinhos desse país não sejam tão comuns no Brasil, estamos sempre de olho na sua rica produção, já que saem rótulos incríveis de lá, como os da região South Eastern Australia, I.G.P. (Indicação Geográfica Protegida) que abrange toda a área sudeste.

Essa região vem, cada vez mais, contribuindo para a boa reputação dos vinhos australianos. Muito por conta da sua enorme extensão: cobre as áreas totais de New South Wales, Victoria e Tasmania, além de, parcialmente, Queensland e South Australia.

Ou seja: estamos falando de condições climáticas e geográficas bastante distintas, o que dá aos produtores diversas possibilidades de elaborar grandes vinhos, compondo blends com uvas de origens diferentes.


Daria um filme ou até uma série de televisão contar a história do vinho no Brasil. Seria uma narrativa repleta de aventuras, frustrações, vitórias, sofrimentos, protecionismos e até patriotismo maligno.

O povo brasileiro, alegre por natureza, ainda não descobriu o quanto a sua felicidade seria mais completa se consumisse mais vinho. Tratado até recentemente como bebida de uma "elite esnobe", o vinho hoje já é encarado como uma bebida normal e o consumidor neófito vem descobrindo que sempre existe um vinho para o seu gosto e que cabe em seu bolso. Assistimos hoje uma revolução no consumo, mas essa euforia tem só 40 anos, porque foi só a partir dos anos de 1970 que o vinho começou a se expor ao consumidor e recebeu uma roupagem de comunicação que não tem volta.

Conhecer essa história é uma bonita viagem que parece não ter fim.

Desde Cabral a Brás Cubas

Para manter o nível da tripulação em alta, uma das 13 naus da frota de Cabral foi abastecida com um vinho adquirido da propriedade de Pêra Manca

Partindo rumo ao desconhecido, a frota de Pedro Álvares Cabral zarpou de Lisboa no dia 9 de março de 1500. Para manter o nível da tripulação em alta, preparar e higienizar alimentos, dar vinhos para as missas diárias celebradas em cada uma das 13 naus de sua esquadra, um dos navios foi ricamente abastecido de um vinho tinto adquirido na antiga propriedade conhecida pelo nome de Pêra Manca, no Alentejo.

Em uma viagem de aventura, com tempestades a assolar a frota, é natural que o vinho não tenha se mantido bom, tanto que os dois índios que foram levados a presença do almirante Cabral não gostaram do que provaram e cuspiram o líquido todo. Aqueles nativos estavam acostumados a degustar o Cauim, um fermentado obtido da mandioca. Sendo assim, o Cauim é o primeiro vinho dessa nova terra.

Um fidalgo chamado Brás Cubas, nascido no Porto, foi o primeiro viticultor do Brasil

Em 1531, a coroa portuguesa envia Martim Afonso de Souza para dar início ao domínio efetivo da "Nova Terra". A partir de março de 1532, um fidalgo chamado Brás Cubas, nascido na cidade do Porto, torna-se o primeiro viticultor do Brasil. Após fundar a Vila de Santos e o primeiro hospital dessa terra, ele manda cultivar as cepas trazidas de Portugal nas encostas da Serra do Mar, onde hoje se localiza a cidade de Cubatão. Não dando certa a experiência, Brás Cubas sobe a serra e, aconselhado por João Ramalho, implanta um vinhedo "pelos lados de Tatuapé", sendo este empreendimento mais bem produtivo, tendo recebido uma citação do padre Simão de Vasconcelos como "as fecundas vinhas paulistanas". Ao mesmo tempo, os índios que por aqui habitavam eram grandes mestres na arte de preparar bebidas, tanto que esse padre conseguiu identificar 32 tipos diferentes de vinhos fermentados de raízes de frutas.

A vinha como forma de assentar o homem
São Paulo parecia ter a vocação para a grande produção de uvas e consequentemente vinhos. As Bandeiras, que partiam de Piratininga, levavam estacas de videiras para serem cultivadas, pois era mais um item que ajudaria nas conquistas de nosso vasto interior, ao mesmo tempo por ser uma cultura de fixação do homem à terra e que ajudava na ocupação do vasto território.

Com a instituição por Dom João III das Capitanias Hereditárias, o Brasil foi loteado em 14 partes, embora só duas dessas Capitanias tiveram sucesso, a de Pernambuco e a de São Vicente. Mesmo assim, o tráfego de vinhos vindos de Portugal aumentava a cada dia em todo território brasileiro.

O vinho comum, rude, sem nenhuma qualidade, já era parte da riqueza da cidade de São Paulo por volta de 1640. Sua importância era grande e os vinhedos do município se estendiam para além do Tamanduateí, chegando até Mogi das Cruzes. Com isso, a primeira Ata da Sessão de implantação da Câmara de São Paulo, de 1640, tratou da padronização da qualidade e dos preços dos vinhos aqui produzidos.

Concorrência do açúcar e ouro
Neste mesmo período, os holandeses chegaram ao nordeste do Brasil e logo se dedicaram à exploração do açúcar. Quase uma centena de engenhos no entorno de Recife e interior de Pernambuco pertencia a judeus holandeses e cristãos novos portugueses. Para suprir o consumo de vinhos dessa gente, quer para acompanhar os ritos religiosos ou para as refeições, Maurício de Nassau inicia o cultivo de videiras na Ilha de Itamaracá e sem nenhuma modéstia revela:
"São as melhores uvas desta terra", tanto que manda pôr três cachos das mesmas no Brasão d'Armas da ilha, criado pelo pintor Franz Post.

Logo toda a euforia agrícola que o vasto território oferecia foi posta de lado com a descoberta de ouro "nas Gerais e em Goiás". Teve início então o abandono em todo o Brasil das culturas agrícolas e o sonho de ficar rico com o ouro da noite para o dia tomou conta do povo. Chegou-se ao cúmulo de faltar alimentos em todo o território, porque os braços que antes cultivavam e colhiam agora lavravam o ouro.

ssim, um barrilete de 5 litros de vinho era vendido em Vila Rica por 700 gramas de ouro. O vinho acabou virando objeto de desejo e símbolo de riqueza. Tanto que, em São Paulo, um certo padre Pompeu, que possuía grandes vinhedos e um enorme rebanho foi assim descrito pelo historiador Charles Baxer: "Um paulista que era padre secular e abastado senhor de terras, atuando igualmente como agiota e banqueiro".

Euforia agrícola durou apenas até a descoberta de ouro

Proibição da manufatura à abertura dos portos
Definitivamente nesta época, o vinho já era um item de primeira necessidade que gerava uma boa receita no comércio, ao mesmo tempo em que era um prêmio a todos aqueles europeus que aqui estavam, pois esse néctar ajudava a matar um pouco a saudade da terra natal.

Com o Brasil crescendo, ficando rico, algumas pequenas indústrias iam surgindo, fato que retirava um bom número de receita de Portugal. Então, como éramos colônia, a rainha Dona Maria I baixa um alvará em 5 de janeiro de 1785 proibindo toda a atividade manufatureira no Brasil. Nada podia ser transformado e depois vendido, tudo tinha que vir de Portugal. Seguramente esse alvará sepultou a jovem indústria vitivinícola no Brasil.

Com Napoleão infernizando a Europa, a família real portuguesa chega ao Brasil em 1808. Com ela, 90% da corte e mais centenas de pessoas letradas e profissionais liberais vieram também. Os 13 anos de permanência de Dom João VI no País, com a sua corte e a abertura dos nossos Portos, trouxeram muitos vinhos para cá de todas as partes do mundo.

No entanto, não se pode esquecer que, a partir de setembro de 1756, Portugal nos impôs grandes cotas de Vinho do Porto, através dos escritórios sediados em Recife, Salvador e Rio de Janeiro, da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro. Todo Vinho do Porto que os ingleses não compravam, comprava o Brasil.

Independência e imigrantes
Em 1821, Dom João VI retorna a Portugal e grande parte da sua corte o acompanha. Seu filho, o príncipe Pedro, já então casado com Dona Leopoldina, filha do Imperador da Áustria, cuida dos destinos do Brasil, até que após o 7 de setembro de 1822 torna-se o Imperador Dom Pedro I.

Desse período do Brasil Colônia até o início da República, em 1889, nossas relações com os vizinhos do sul (Argentina, Uruguai e Paraguai) sempre tiveram problemas. As terras do hemisfério sul eram muito disputadas devido às suas riquezas naturais. Para por fim a isso, Dom Pedro I autoriza o fluxo migratório para a ocupação daquelas terras. Em 1824, chegam os alemães formando a primeira colônia, a de São Leopoldo, próxima a Porto Alegre. Logo se deu início a uma atividade industrial.

Fluxo imigratório italiano para a região da Serra Gaúcha perdurou por 10 anos

Já no reinado de D. Pedro II, o movimento pelo fi m da escravidão crescia a cada dia. Em 1857, a Lei Euzébio de Queiroz decreta o fim do tráfego negreiro para o Brasil. Fatores como esse e mais a necessidade da ocupação territorial do País intensificam a criação de uma política imigratória.

Os italianos
A Itália que hoje conhecemos, criada a partir de 1870, vivia dias de miséria, incertezas e amargura. Atravessar o Atlântico e ter um punhado de terra só seu - de onde pudesse tirar o sustento de sua família - era o sonho dourado de milhares de italianos. As duas necessidades se completaram entre os anos de 1870 e 1875. Assim, o exército brasileiro mapeia uma grande porção de terra na Serra Gaúcha, traça estradas, divide lotes com tamanhos diversos e inicia a venda desses lotes às famílias italianas, que tinham 12 anos para pagarem por essas terras.

Então, uma verdadeira odisséia implantou-se na Serra, abastecida de determinação e coragem desses imigrantes italianos nascidos no Vêneto, Lombardia e Trento. Um grande fluxo migratório perdurou por 10 anos e esse povo deu início ao que chamamos de "indústria vinícola brasileira".

Implantando vinhedos idênticos aos de sua terra, mas com uma uva americana, a Isabel, o vinho brasileiro saiu da produção familiar e, aos poucos, foi virando um negócio. Enquanto esse vinho circulava na Serra Gaúcha, as dificuldades eram poucas, mas novos mercados precisavam ser abertos. Então, os carroções e até mesmo o lombo dos burros eram os meios de transporte para que o vinho descesse a Serra e encontrasse o consumidor final. Muitas foram as perdas nesses primeiros tempos. A falta de higiene e cuidados básicos, muitas vezes, comprometia safras inteiras.

Em 1912, é fundada a Federação das Cooperativas do Rio Grande do Sul

A mão do governo e as cooperativas
Alguns produtores mais ousados não gostavam de ver seus vinhos comprados a preços irrisórios, especialmente depois de saberem que esses mesmos vinhos eram vendidos por até cinco vezes mais nos grandes centros de consumo. O governo estava atento, não pelo fato de proteger o produtor, mas sim porque essas transações comerciais não rendiam nada de impostos.

É do ano de 1910 em diante que vão surgindo as empresas de vinho no Brasil, pois o governo federal queria arrecadar impostos sobre a produção e comercialização das uvas e dos vinhos. Para instruir os novos produtores a se organizarem, o governo contratou o advogado italiano José Stefano Paterno, expert em montagem de cooperativas, que obtivera muito sucesso com a implantação das mesmas na Itália e no Paraguai. Assim, em pouco tempo, mais de 30 cooperativas estavam organizadas e, em 1912, é fundada a Federação das Cooperativas do Rio Grande do Sul.

Após esse júbilo, uma série de crises durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca fez com que o sistema de cooperativas praticamente se desfizesse e os negociantes individuais de vinhos assumissem a posição de "única salvação" para a jovem e inexperiente indústria vinícola.

Vinhos com nome e sobrenome

Deve-se ao grande professor italiano que fincou raízes no Brasil, Celeste Gobbato a edição do livro "Manual do Vitivinicultor Brasileiro", onde tudo o que fez e testou na Estação Experimental de Viticultura e Enologia, instalada em Caxias do Sul, era apresentado de forma ilustrada e muito didática. Este manual foi tão lido quanto a Bíblia na Serra Gaúcha

Ficava patente que o agricultor familiar deveria ser treinado com afinco nas artes de preparar e implantar vinhedos, colher e elaborar vinhos e gerir o comércio dos mesmos. Para colocar a casa em ordem, a Escola de Engenharia de Porto Alegre contrata, na Itália, um grupo de experientes professores liderados pelo enólogo e engenheiro Celeste Gobbato, que se tornaria o líder de uma revolução pacífica na Serra Gaúcha, cujos resultados podemos sentir até os dias de hoje. A partir desse período, o brasileiro começa a conhecer vinhos que tem nome e sobrenome. É esse o marco divisório da cultura artesanal para uma indústria forte que nunca mais parou de crescer.

A partir de 1920, o produtor, agora com mais experiência de campo, dá os primeiros passos na busca de maior qualidade para os seus vinhos. Ele começa a olhar para as uvas vitiviníferas, cujo rendimento na produção é menor, mas a qualidade do produto é muito maior.

Os vinhos elaborados com a uva Isabel e alguns de Bonarda começam a fazer escola, primeiro envasados em cartolas (pipas) de 400 litros, de madeira de grápia, e são comercializados a granel nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Em seguida, surge a figura do garrafão de 5 litros que, depois de arrolhado, recebia um lacre de gesso branco. Uma vez aberto, o ideal era consumi-lo todo, mas tal não acontecia, o que prejudicava muito a qualidade.

A prática de falsificar o vinho gaúcho nos grandes centros consumidores do Brasil foi o ponto alto para a criação, em 1927, do Sindicato Vinícola do Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre, que passou a funcionar como regulador da oferta e da procura, e controlando a produção e a comercialização de todo o vinho produzido no Rio Grande do Sul.

Em 1929, José de Moraes Velhino reúne um grupo de amigos e funda a Sociedade Vinícola Riograndense, cujo rótulo nascido dessa sociedade - Granja União - faria história no Brasil. Além de comprar e escoar toda a produção de uva e vinho de Caxias do Sul, a Sociedade implantou o projeto Granja União, cultivando muitos hectares com diversas cepas vitiviníferas europeias. Até um grande parreiral da uva portuguesa do Douro, a Souzão, foi implantado. Naquela época, o vinho mais vendido no Brasil era o Porto. Então, não custava sonhar em fazer um vinho semelhante.

A partir de 1920, os produtores começam a olhar para a qualidade

Como resultado positivo, a Sociedade estimulou aos demais produtores e, assim, no início dos anos 30 a Serra Gaúcha assistiu ao nascimento de mais de 25 cooperativas, muitas delas resistindo bravamente até os dias de hoje e fazendo muita história com a gama de vinhos que disponibiliza no mercado.

As referências do vinho da Serra Gaúcha
Acompanhando o crescimento do comércio, o vitivinicultor gaúcho ia, aos poucos, se escolarizando em sua arte. Deve-se ao grande professor italiano que fincou raízes no Brasil, Celeste Gobbato a edição do livro "Manual do Vitivinicultor Brasileiro", onde tudo o que fez e testou na Estação Experimental de Viticultura e Enologia, instalada em Caxias do Sul, era apresentado de forma ilustrada e muito didática. Este manual foi tão lido quanto a Bíblia na Serra Gaúcha.

Chegamos à década de 1940 e o Brasil conheceria três grandes "leões" nesse mundo da uva e do vinho: os médicos Luiz Pereira Barreto e Campos da Paz e o agrônomo Julio Seabra Inglez de Sousa. Os dois primeiros insistindo e provando que o Brasil tinha grande potencial para investir na vitivinicultura, fazendo cultivar cepas resistentes ao nosso clima, em que os altos índices de umidade provocaram muitas doenças nas castas mais delicadas. Já o professor Inglez de Sousa, da Escola de Agronomia Luiz de Queiroz, de Piracicaba, em São Paulo, estudava in loco e academicamente toda a vitivinicultura brasileira. Seu livro "Uvas para o Brasil" até hoje é considerado um clássico e um marco nesse assunto.

Varietais, Sangue de Boi e nomes alemães e franceses
Reinava no início dos anos 50 a coleção de vinhos varietais da Granja União de Caxias do Sul. A fama desses vinhos era tanta que o brasileiro foi se acostumando a pedir vinhos pelo nome de suas castas. Assim Cabernet, Merlot, Riesling, Bonarda, Malvasia di Candia e tantas outras foram criando nichos de admiradores pelo território nacional. No campo dos vinhos populares, o Sangue de Boi da Cooperativa Vinícola Aurora iniciou seu domínio e alguns milhões de garrafões de 5 litros passaram a conviver intimamente nos lares do Brasil.

No início da década de 70, a indústria vinícola nacional dá o seu segundo grande salto. A qualidade encontrou no marketing a sua grande aliada, os rótulos começam a ser bem elaborados e as marcas com nomes franceses e alemães passaram a dominar o mercado, como Château Duvalier, Château D'Argent, Saint Honore, Jolimont, Château Lacave, Clos de Nobles, St. Germain, Conde Foucauld, Bernard Tailand, Forestier, Gran Bersac, Katzwein, Nachtliebewein, Loreley, Kiedrich, Johannesberg etc. Os nomes alemães, por sua vez, ainda aproveitam a grande onda de sucesso no Brasil dos vinhos alemães importados de garrafa azul.

Nos anos 50, reinava a coleção de vinhos varietais da Granja União, de Caxias

Ações isoladas de qualidades superiores como as apresentadas pelo viticultor e sonhador Oscar Guglielmone, com o seu vinhedo localizado em Viamão, despertavam curiosidades entre os enófilos de primeira viagem. Mas a grande virada ainda estava por vir. E ela seria dada com o interesse das multinacionais das bebidas pelos vinhos do Rio Grande do Sul.

"Invasão estrangeira" e o vinho como negócio
Em um espaço de quase 10 anos instalaram-se no sul do Brasil as poderosas Heublein e a Seagran. Da Itália vieram a Martini e Rossi e a Cinzano, associada à Chandon, da França. Dos Estados Unidos, a Almadén.

Comprando vinícolas familiares tradicionais ou simplesmente começando do zero, esse pessoal acordou o vitivinicultor gaúcho ao mostrar que a modernização era um fato real e a administração científica viria para se sobrepor à administração familiar. Ou seja, todos acordaram para uma realidade que não haveria de ter retorno: o vinho é um negócio.

Embora todos sempre tivessem muito do que se orgulhar de seus antepassados, o negócio do vinho era mais forte e ágil do que as lembranças. Profissionais tarimbados de outros países foram chegando e, aos poucos, impuseram suas teorias e práticas. Junto delas, o pessoal do Colégio de Viticultura e Enologia (CVE) iniciou esse progresso, refez seu currículo e amadureceu para que anos mais tarde pudesse ser implantado um curso superior de enologia. Nomes como Phillipe Coulon, Dante Calatayud, Adolfo Lona, Ernesto Cataluña iam se firmando como criadores de novos estilos de vinhos.

 


Se considerarmos que o negócio dos vinhos finos, de terroir, é movimentado há apenas 25 anos no Chile, é surpreendente constatar o sucesso alcançado em tão pouco tempo.

Além de conquistar alta qualidade com seus exemplares, o país é o nono maior produtor de vinhos do mundo e principal exportador das Américas – e dá sinais claros de que não pretende parar por aí.

Para isso, investe em políticas de baixos impostos, valoriza a sustentabilidade nas vinícolas e se dedica incansavelmente à identificação das melhores regiões para cultivar seus vinhedos, explorando técnicas de vinificação tradicionais e modernas. Sem contar a excepcional condição geográfica, que favorece a qualidade do cultivo.

Vinho chileno = excelente custo e benefício

O Chile consegue produzir rótulos com excelente relação preço e qualidade por ser um país privilegiado em termos de clima e de localização geográfica para a produção de uvas de qualidade, diferentemente do que acontece, por exemplo, na Borgonha ou na Serra Gaúcha, que passam apertos para produzir.

Há regularidade de amplitude térmica, horas de sol necessárias e frio na medida certa. Isso faz com que eles mantenham o volume de produção ano a ano, elaborando vinhos de vários estilos e preços.

Claro, também podemos destacar a política de baixos impostos aplicada pelo Chile aos vinhos, inclusive para a produção. O país consegue produzir um volume de rótulos tão considerável que precisa ser exportado, já que o consumo no país não é tão grande.

Por isso, o governo ajuda com baixos impostos, também com relação à produção, o que faz com que cheguem ao nosso país com preços realmente atraentes, além de o frete não ter um valor tão impactante quanto o dos produtos europeus e da Oceania.

É preciso mencionar, também, o fato de, por integrar o Mercosul, o país não sofrer incidência do imposto de importação sobre seus produtos quando exportados para o Brasil.

Alterações mapa vinícola Chileno

A mudança começou a se tornar mais robusta em 2011 e foi incorporada, de fato, pelo Ministério da Agricultura chileno em setembro de 2012. Nessa mudança, pela primeira vez, houve uma divisão de leste a oeste do país e passou-se a usar os termos: Andes, Entre Cordilheiras e Costa.

O objetivo é evidenciar a diversidade do terroir chileno. Por exemplo, o Chile possui mais de 4 mil quilômetros de costa e essa condição tem influência direta sobre as uvas cultivadas mais perto do Oceano Pacífico.

Outro exemplo é o Valle del Limarí, 400 quilômetros a norte de Santiago, que possui uma parte na Costa, outra na região Entre Cordilheiras e mais próxima dos Andes. Isso faz com que um mesmo vale tenha terroirs bem distintos e o Chile quis diferenciar isso. Neste ano, quatro novas denominações foram criadas: Apalta, Los Lingues, Lo Abarca e Licantén.

Barreiras naturais, como o Deserto do Atacama e a Cordilheira dos Andes, favorecem a produção. A Cordilheira dos Andes, com sua altura e largura estonteantes ao norte, deu origem ao Deserto do Atacama, considerado o mais seco do mundo.

Essa barreira natural impede a passagem de nuvens que trazem chuvas, mantendo o ambiente árido naturalmente. À medida que vai descendo para o sul, a Cordilheira diminui a altitude e se torna uma belíssima barreira contra ventos excessivos e, consequentemente, previne a existência de doenças e pragas nos vinhedos. Um excelente exemplo é a imunidade à filoxera, que assolou os vinhedos europeus no século 19.

Outra vantagem é a formação de massas de ar, que garante ventilação controlada, proporcionando maior controle de temperatura, além de evitar geadas e de causar alta amplitude térmica. As horas de sol e de frio em quantidade suficiente dão origem a uvas sãs, com ótima maturação para elaboração de vinhos de qualidade.

Estilo dos vinhos chilenos

Hoje em dia, com tantas técnicas e facilidades de trocas de ideias, os estilos no mundo inteiro são muito variados. É possível degustar no Chile um vinho estilo francês (mais elegante) e também no estilo Novo Mundo (mais encorpado e mais carregado na madeira, com caráter de frutas bem maduras), dos jovens aos envelhecidos.

Principais regiões e uvas

Sem dúvida, o Valle Central é a principal região de produção, que engloba outros quatro vales: Maipo,
Rapel, Curicó e Maule.

Quanto às uvas, a Cabernet Sauvignon é a tinta mais difundida no Chile, com destaque também para Carménère, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Carignan, País, Malbec, Cinsault e Petit Verdot.  Entre as brancas, destacam-se a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Sémillon e Viognier.

Carménère: a emblemática

Com a devastação dos vinhedos da França pela filoxera, algumas variedades foram consideradas extintas naquele país – a Carménère foi uma delas. Porém, ela foi levada ao Chile como Merlot e por muitos anos foi confundida.

Até que, em 1994, o ampelógrafo (profissional que estuda, identifica e classifica vinhas) Jean-Michel Boursiquot fez uma pesquisa genética, comparando os DNAs das variedades e identificou que algumas vinhas conhecidas como de Merlot, eram, de fato, a Carménère. Então, foi em solo chileno que a Carménère foi – descrevendo de modo bem informal – “ressuscitada”.


Uma das regiões vitivinícolas da Espanha mais conhecidas em todo o mundo, Ribera del Duero está localizada no norte do país, em Castilla y León, a cerca de 160 km ao norte de Madrid.

Cobrindo cerca de 123 km, Ribera del Duero possui quatro províncias: Burgos, Valladolid, Soria e Segovia. Seu nome, faz referência ao rio Duero, que também percorre algumas regiões de Portugal, onde é chamado de Douro.

Apesar da oficialização de sua Denominação de Origem ser considerada recente, ocorreu em 1982, a história vitivinícola da região existe há mais de 2 mil anos, mas, até então, a produção do vinho era tida apenas como “caseira”.

Ribera del Duero é uma região que possui altitudes que variam aproximadamente entre 600 a 900 metros acima do nível do mar. Com invernos rigorosos e verões muito quentes, o clima no local é descrito como “nove meses de inverno e três de inferno”. A amplitude térmica entre o dia e a noite em algumas estações do ano é muito ampla, contribuindo para um lento amadurecimento das uvas.


“Garota eu vou pra Califórnia, viver a vida sobre as ondas…” Nessa pegada leve e descontraída, a Sommelière WINE, Cibele Siqueira, escolheu rótulos incríveis da Califórnia para você experimentar e aproveitar. Vamos lá? Saúde!

Turning Leaf Merlot
Califórnia, Estados Unidos
Com um paladar frutado, macio e com leve doçura, esse tinto possui aroma de frutas vermelhas como cereja, amora e ameixa madura, com delicada nuance amadeirada. Elaborado na California com a uva Merlot, esse rótulo é fácil de beber e de harmonizar, ideal para quem busca vinhos jovens e descontraídos.

Dark Horse The Original Pinot Noir 2017
Califórnia, Estados Unidos
Para criar um Pinot digno do rótulo Dark Horse, Beth Liston, adquiriu suas uvas de produtores selecionados, como os principais vinhedos da costa central da Califórnia – a região famosa por inspirar a obsessão do mundo por Pinot Noir. Ao usar métodos de ponta para misturar, envelhecer e fermentar essa variedade, Beth é capaz de fornecer o equilíbrio suave e aveludado das frutas, geralmente reservado para os Pinots mais caros.

Califórnia, Estados Unidos
A linha Apothic possui tintos que expressam o estilo e a tipicidade dos vinhos californianos, mas cada rótulo traz uma característica que se destaca e alguma diferença no assemblage. Entre as uvas que se diferenciam, o Crush conta com uma parcela de Pinot Noir e em seus aromas o chocolate e a baunilha dominam.

William Hill Central Coast Chardonnay 2016
Califórnia, Estados Unidos
Quer uma tradução do estilo dos brancos californianos? Este exemplar com aromas de abacaxi maduro, baunilha e tosta, leve e frutado, com acidez agradável e leve amadeirado é uma ótima opção.

Mais sobre a produção californiana

Um dos destinos de enoturismos mais procurados pelos apaixonados por vinho, a Califórnia concentra mais de 80% da produção de exemplares dos EUA.

Com uma incrível diversidade de terroirs ao longo da sua extensão, essa região cultiva mais de 100 uvas diferentes. Entre brancas e tintas se destacam a Chardonnay, a Pinot Gris, a Sauvignon Blanc, a Cabernet Sauvignon, a Zinfandel, a Pinot Noir, a Merlot e a Syrah.

Essa região, que origina diferentes tipos de vinhos (brancos, rosés, tintos, entre outros), também mostra diversidade nas características dos exemplares. É possível encontrar desde rótulos que refletem toda a descontração do clima e do estilo de vida californiano, aos mais tradicionais e nobres.

A Califórnia possui mais de 100 regiões vitivinícolas e mais de 4 mil vinícolas. Entre as áreas que mais se destacam estão o Napa Valley, Sonoma, Monterey, Santa Barbara e Santa Cruz.

Assim como outras regiões produtoras de vinhos do mundo, a Califórnia também possui algumas áreas com regras específicas de produção. Por lá, o conceito de Denominação de Origem é chamado de American Viticultural Area, em português, Área Vitícola Americana, e possui a sigla A.V.A.

Esse estado dourado possui muitos motivos que nos levam a experimentar os rótulos de lá e, para quem já conhece, continuar degustando os seus vinhos.

Saiba ainda mais sobre a produção de vinhos na Califórnia. Além dos roteiros do vinho por essa região norte-americana.


A França é um país em que o vinho está inserido no cotidiano de seu povo, o vinho é um trunfo de seu povo, motivo de orgulho e prestigio internacional, seus vinhedos são a expressão máxima de qualidade, onde o terroir é gritante e fundamental. Os diferentes tipos de vinhos em pequenos espaços de terrenos, são marcantes.

Existem na França vinhos excepcionais e também grandes vinhos que devem ser bebidos sem grandes preocupações. A primeira preocupação de um enófilo que está prestes a conhecer os vinhos da França é saber diferenciar os vinhos, já que existem dezenas de denominações de origem e comunas com nomes de vinhedos.

Encontram-se nos rótulos dos vinhos franceses as seguintes especificações:

  • Vin de Table (vinho de mesa): Vinho comum, feito sem muitos cuidados, não são muito expressivos e possuem baixo custo beneficio.
  • Vin de pays (vinhos de região): Vinho comum, também conhecido como vinho ordinário, teve seu nome modificado devido ao significado da palavra ordinário em outras línguas como o Português.
  • Vin délimité de qualité supérieure- VDQS (Vinhos Delimitados de Qualidade Superior): Nesta categoria temos vinhos realmente respeitáveis, de qualidade superior, que deverão seguir os mesmos critérios de um AOC, mas terão que passar por uma degustação técnica rigorosa. Pode ser considerada uma categoria de transição, pois normalmente os VDQS aguardam a regulamentação para AOC. Esta categoria representa uma pequena parte da produção francesa.[1]
  • Appellation d'origine contrôlée- AOC (Vinhos de designação de origem controlada): Nesta categoria estão os vinhos cujas qualidades são superiores aos anteriores, mas que nem sempre é garantia de boa qualidade, existe um controle mais rigoroso, e o vinho tem que ser dá zona especificada no rótulo e também obedecer a algumas especificações que estão na legislação especifica de cada região (como por exemplo: limite de produção por hectare, quais as uvas que podem ser cultivadas, os métodos de vinificação).
O conceito de terroir é uma particularidade francesa que dá a seus vinhos personalidade, de acordo com as uvas utilizadas, os terrenos onde foram cultivadas, o microclima da região, a experiêcia dos viticultores e ainda a qualidade da cave ou dos barris. O terroir é, além disso, um conceito cultural, ligado às comunidades locais, que vivem do cultivo e culto ao vinho.

Os grandes terroirs[editar | editar código-fonte]
  • Vinhedo d'Alsace
  • Vinhedo Beaujolais
  • Vinhedo de Bordeaux
  • Vinhedo de Bourgogne
  • Vinhedo de Champagne
  • Vinhedo de Corse
  • Vinhedo do Jura
  • Vinhedo do Languedoc
  • Vinhedo de Provence
  • Vinhedo do Roussillon
  • Vinhedo de Savoie
  • Vinhedo du Sud-Ouest
  • Vinhedo de Val-de-Loire
  • Vinhedo do vale do Rhône


Quando o assunto é vinho húngaro, na cabeça de muitos vem logo a doce lembrança dos famosos Tokaji. A Hungria, um dos mais antigos países europeus, sempre foi conhecida pelos seus vinhos doces criados na região de Tokaj no nordeste do país.

O Tokaji Aszú foi a bebida preferida de personalidades históricas e é por isso considerado o “Rei dos Vinhos”, e o “Vinho dos Reis” – mas isso você já leu por aqui.

O que talvez você não saiba é que o néctar das uvas de Tokaj é mencionado até no hino nacional da Hungria, tamanha a importância do vinho no país. Contudo, recentemente, a produção de vinhos húngaros cresceu e, hoje, o leque de opções está cada vez maior.

O país conta com 22 principais regiões de vinho. As mais importantes são Tokaj, Kunság, Csongrád e Hajós-Baga, Eger, Villány e Szekszárd. Tokaj fica no nordeste do país, aos pés das Montanhas dos Cárpatos, e é mais conhecida pelo vinho doce chamado Tokaji Aszú, assim como pelas uvas Furmint, Hárslevelű e Muscat.

 


O ressurgimento do Líbano no mundo dos vinhos

Poucos conhecem os vinhos do Líbano (muitos nem sabem que existe vinho por lá). Descubra!

Poucos conhecem os vinhos do Líbano (muitos nem sabem que existe vinho por lá). Descubra!

Provavelmente, bastante gente vai se surpreender se dissermos que esse pequeno país do Oriente Médio é um dos mais antigos produtores de vinho do mundo, cada vez com mais potencial para se tornar potência.

A tradição é milenar, iniciada pelos fenícios há mais de quatro mil anos. Não é à toa que está preservado ali o maior templo romano dedicado ao Baco, deus do vinho e dos prazeres.

Para ser mais exato, o monumento fica no vale do Bekaa, região que foi até citada na Bíblia como produtora de vinhos. Hoje, é a principal do país, de onde saem rótulos como o famoso Château Musar, que alguns consideram um dos melhores do mundo.

Nem tudo são flores…

Ok, mas se o Líbano é assim tão especial, por que é tão pouco conhecido e divulgado? Acontece que o país sofreu com os anos, principalmente com as violentas guerras civis e as tensões políticas e religiosas que vemos até hoje.

Os conflitos deixaram suas marcas ao longo dos anos. A situação ficou pior ainda quando a região foi dominada pelos muçulmanos – primeiro foram os árabes, mais tarde, os turcos (império Otomano).

Durante mais ou menos mil anos, a qualidade despencou até tirar o país da memória daqueles que bebem vinho. Os vinhos, que antes chamavam a atenção de qualquer um, foram por água abaixo. A produção se resumiu basicamente a plantações de monges e religiosos, que utilizavam o vinho em missas, e aos pequenos cultivos de Arak, um destilado de uvas muito apreciado por lá.

Quem é vivo sempre aparece

Somente no século 20 é que a vitivinicultura libanesa começou a ressurgir timidamente, graças ao declínio dos turcos após a Primeira Guerra Mundial. A partir daí, o país se tornou um protetorado da França por 23 anos, o que foi vital para o avanço dos vinhedos.

A aproximação com a lendária “nação dos vinhos” trouxe ao Líbano variedades que se adaptaram muito bem e geram os melhores vinhos do país, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot, ambas de Bordeaux, e a Cinsault, Syrah, Grenache e Mouvèdre, da parte Sul da França.

O resultado, em geral, são vinhos muito aromáticos (herança da Cinsault), densos e muitas vezes complexos. Cheios de especiarias (às vezes picantes), impressionam também pelas cores fortes, um vermelho quase fogo – isso acontece principalmente por causa das uvas Syrah e Grenache.


A Nova Zelândia é consagrada por produzir alguns dos melhores vinhos do mundo elaborados a partir da casta Sauvignon Blanc, sendo também terra de deliciosos Chardonnay e fantásticos vinhos tintos, como os ricos Pinot Noir e os elegantes Cabernet Sauvignon.

Anos atrás foram os deliciosos Sauvignon Blanc de Marlborough os responsáveis por chamar a atenção do mundo para os ótimos vinhos neozelandeses. Hoje, sabe-se que o país produz também inúmeras outras maravilhas, como os vinhos Chardonnays fantásticos, longevos e complexos. Alguns bons exemplares desse sucesso são os Kumeu River, Isabel Estate e o Elston, de Te Mata. No caso dos vinhos tintos da Novaelândia, os rótulos são mundialmente conhecidos por serem muito finos e saborosos.

A sensação do momento na Nova Zelândia são os ótimos vinhos produzidos com a uva Pinot Noir, casta conhecida por ser temperamental, que se adaptou maravilhosamente bem ao clima frio do país, produzindo alguns vinhos ricos, cheios de classe e elegância.

Alguns Pinot Noir neozelandeses são mais frutados e alegres, mas os melhores — como os celebrados exemplares de Felton Road, Martinborough Vineyards e Isabel Estate — são finos e complexos, em geral, em um estilo mais potente e concentrado que a maioria dos Borgonha.

Embora a supremacia da região de Borgonha permaneça inquestionável, os exemplares da Nova Zelândia estão entre os vinhos que mais se aproximam de sua habilidade com a Pinot Noir, apresentando uma personalidade rica e sedutora.

Os melhores vinhos Cabernets da Nova Zelândia são produzidos na quente (para os padrões do país) região de Hawke’s Bay, onde o grande nome é Te Mata, a mais antiga e tradicional vinícola do país. Seus Coleraine e Awatea, elegantes vinhos tintos no estilo dos elaborados na região de Bordeaux, são verdadeiros ícones no país. As uvas estrangeiras Merlot, Syrah e Chardonnay também se destacam na região, como demonstram os ótimos vinhos elaborados por Te Mata e Sileni.

Exportando, em média, 58,7 milhões de litros de vinho por ano, a Nova Zelândia possui 10 regiões produtoras de vinho em toda a sua extensão territorial, nas quais operam cerca de 530 vinícolas dentro das limitações do lado Norte e Sul das ilhas que compõem o país.